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Direito Animado, Promotor de Justiça
Direito Animado
Comentário · há 2 anos
Acreditamos que há mais concordâncias do que discordâncias. Eis o ponto: todos concordamos que o mero acúmulo/reprodução de informações, pelos estudantes e profissionais da área jurídica, é um modelo medíocre e anacrônico (o que consta do seu texto e do texto do Lenio).

No texto dele, a crítica se direciona à estrutura e aos objetivos do ensino, donde afirma que a tecnologia não substitui a ciência, dizendo que : "Descobertas que facilitam a vida são bem-vindas, mas há falsas facilidades sobre as quais devemos alertar". O seu texto também observa o mesmo fenômeno, ao afirmar: "o direito é um fenômeno complexo, mas as soluções que as legaltechs oferecem não negam a complexidade do direito. Simplesmente querem que os profissionais possam gastar mais tempo com essas questões intelectuais complexas do que com burocracias e trabalhos repetitivos".

Em terceira concordância, vemos também que o simples acesso à informação não se traduz em conhecimento (que é o tratamento e a apreensão dos dados). Para Lênio: "A tecnologia apenas promove a democratização da... informação. O professor é quem tem a tarefa de transformar essa informação em conhecimento". No seu texto: "Se você usar a técnica sem pensar no pano de fundo, vai morrer tentando usar um Deus ex machina sem conseguir solucionar seu problema. É por isso que usuários de um produto ou serviço, quando não têm resultado, culpam o produto e não a sua inabilidade para usá-lo".

A única discordância efetiva que verificamos reside no caminho ser trilhado até o objetivo de formar uma comunidade jurídica dotada pensamento crítico: para Lênio, uma exaustiva e imediata exposição a densas teorias filosófico-jurídicas, para você, uma abordagem mais pragmática e voltada à rotina profissional.

Acreditamos que dilema do "oito ou oitenta" é uma dicotomia ilusória: só se modifica uma prática problemática por meio da inovação de posturas, condutas, pensamentos... a reprodução/reiteração cega só leva à perpetuação dos problemas. Como bem colocado por você, também a tentativa de jogar o profissional em um mar de reflexões teórico-filosófico-abstratas é inútil sem a referência prático-pragmática (uma verdadeira perda de tempo).

Concordamos que hoje impera no seio da comunidade (não só jurídica) "a falta autonomia e objetividade no pensar e investigar", mas o caminho para a superação não reside no acirramento de posições extremadas: teoria e prática, filosofia e direito, pensar e executar precisam caminhar juntos. Daí a necessidade de chamar a atenção para os problemas, refletir e trabalhar na solução, executando-a na prática.

Por isso é que textos como o seu são importantes para promover a reflexão. Nós, do Direito Animado, temos trabalhado na ação: acreditamos que o conhecimento básico do Direito deve ser o ponto de partida e as faculdades/instituições devem se concentrar na formação de um profissional pensante, apto a resolver os problemas que lhe forem apresentados com base naquele alicerce do conhecimento (inclusive contestando práticas estabelecidas). O profissional da área jurídica, estamos de pleno acordo, deve ter as ferramentas tecnológicas como suas aliadas e focar seus conhecimentos exatamente naquela característica humana que agrega: inovação, inventividade, criação. Para isso, a revolução do ensino deve se preocupar menos com a influência da tecnologia e mais no tipo de profissional que tem formado: deixe que usem todos os meios/informações/tecnologia, desde que saibam como utilizar tal informação (filosófica, teórica, pragmática ou básica) para encontrar a solução adequada aos problemas que devem ser resolvidos.

Parabéns pelo texto!

Grande abraço!
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